Sublinhas Temáticas

1. Consciência histórica, conceitos e intelectualidades latino-americanas

Esta sublinha aproxima os avanços da teoria da história e da história intelectual — especialmente os desenvolvidos na América Latina, mas também em outras tradições preocupadas com o pluralismo historiográfico e com conceitos plurais de tempo histórico — das práticas de ensino e da educação histórica.

Valorizamos perspectivas que questionam a temporalidade moderna homogênea, reconhecendo heterocronias, múltiplas formas narrativas e interpretações situadas do passado. Esse movimento dialoga com debates sobre colonialidade, modernidade periférica, epistemologias do Sul, história dos conceitos, bem como com reflexões produzidas em contextos africanos e asiáticos que reconfiguram noções de tempo, história e agência.

Ao mesmo tempo, observamos que esse rico repertório teórico ainda é pouco incorporado aos currículos escolares e materiais didáticos. Assim, buscamos produzir reflexões e ferramentas pedagógicas que aproximem essas intelectualidades do ensino de humanidades, ampliando o repertório teórico-metodológico disponível para professores e estudantes.

2. Consciência histórica indígena e competências narrativas pós-coloniais

Esta sublinha desconstrói mitos colonialistas como a ideia de que povos indígenas “não pensam historicamente”. Investigamos como a oralidade — frequentemente deslegitimada pela historiografia moderna — constitui forma legítima e complexa de elaboração do tempo histórico.

Estudamos criticamente construções coloniais como o mito da “barreira verde” e dos supostos “vazios demográficos”, que invisibilizam a presença indígena no Brasil e no Espírito Santo. Buscamos recuperar visões nativas sobre passado, presente e futuro, valorizando cosmologias, territorialidades e memórias próprias.

Um objetivo central é criar materiais didáticos que contribuam para a efetivação da Lei nº 11.645/2008, integrando perspectivas indígenas ao ensino de história.

3. Consciência histórica negra e visões afro-brasileiras sobre a história

Esta sublinha enfrenta mitos racistas profundamente enraizados, como o de que populações negras seriam incapazes de pensamento histórico abstrato. Investigamos saberes quilombolas, memórias ancestrais, tradições orais e religiosidades afro-brasileiras como formas potentes de consciência histórica.

Também analisamos como histórias locais podem ser reinterpretadas a partir dessas experiências, contribuindo para desconstruir mitos como o da “democracia racial”. Desenvolvemos materiais didáticos que auxiliem escolas na aplicação da Lei nº 10.639/2003.

4. Consciência histórica e crítica ao patriarcado

Examinamos como a consciência histórica pode ser mobilizada para desconstruir mitos produzidos pelo patriarcado moderno/colonial, como a noção de que mulheres não produzem interpretações complexas do mundo. Dialogamos com autoras como Rita Segato, entre outras, para compreender como experiências e memórias femininas podem renovar a narrativa histórica e o ensino.

Nosso objetivo é ampliar repertórios pedagógicos que questionem hierarquias de gênero e tornem visíveis experiências invisibilizadas.

5. Consciência histórica e antropoceno

Esta sublinha investiga como a consciência histórica pode contribuir para questionar a temporalidade moderna marcada pelo antropocentrismo e pela separação rígida entre natureza e cultura. Trabalhamos com abordagens que articulam história, meio ambiente, educação ambiental crítica e justiça climática.

Perguntamos como o saber histórico pode ajudar a repensar escalas de tempo e práticas de sustentabilidade em um contexto de emergência ecológica. Dialogamos com a legislação vigente, como a Lei nº 9.795/1999 e a Lei nº 14.926/2024, que ampliou a pauta ambiental e climática na educação.

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